Tipos de veículos movidos a hidrogênio no âmbito internacional que pode servir de modelo para o Brasil

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A operação de veículos elétricos alimentados por células a combustível tem sido significativamente positiva, não apenas por causa da corrida contra o aquecimento global, mas também devido à facilidade de operação (IEA, 2021)

As características da tecnologia dos veículos movidos a hidrogênio os tornam inovadores e possuem benefícios substanciais dos quais podemos citar: 1. Não há nenhuma produção de poluentes. Em um planeta onde a consciência ambiental está aumentando, o fato de que os veículos movidos a hidrogênio não produzam poluentes na atmosfera é, sem sombra de dúvida, uma de suas maiores características. Entretanto, é importante mencionar que mesmo que este seja o tipo de veículo que não gera poluentes, os processos utilizados para produzir hidrogênio usam outras formas de energia, o que acaba gerando algum tipo de poluição. Independentemente da definição, nos EUA e na Inglaterra, os carros elétricos já são considerados “veículos verdes”, o que concede a eles uma vantagem na hora de se abastecer e parar em locais restritos a outros tipos de veículos. 2. O abastecimento é ágil e descomplicado, outra vantagem fundamental é a velocidade com a qual o fornecimento de veículos é feito, que é muito superior à dos carros elétricos, por exemplo. 3. Excelente capacidade de autonomia, a questão da independência é outro aspecto que deve ser mencionado entre os veículos a hidrogênio e os de origem elétrica. Os carros mais recentes que usam hidrogênio têm uma capacidade de aproximadamente 600 km e, se forem completamente abastecidos, têm uma autonomia de aproximadamente 1.000 km. Além disso, é esperado que esta capacidade continue a ser melhorada e que os resultados obtidos sejam ainda mais impressionantes no futuro (PASSARO, 2020). 

Desse modo, é importante saber como ocorre o funcionamento universal de uma célula a combustível no veículo, ao contrário do que se pensa, um veículo alimentado por hidrogênio não o utiliza para produzir calor, o compartimento do veículo é dedicado à armazenagem do componente em estado líquido, com pressão, dentro de um reservatório. De lá, ele segue para o componente mais significativo: a célula de energia, local onde o hidrogênio se mistura com o oxigênio do ambiente (MORENO, 2021). 

O elemento é decomposto em duas partes, uma delas é um catalisador, e a outra é uma membrana que troca prótons por CO2. Os elétrons que são perdidos durante a decomposição da água são gerados por uma corrente elétrica, o processo em questão gera apenas água e eletricidade, e é considerado um veículo impulsionado por hidrogênio como um carro de emissão zero. A eletricidade é então guardada em depósitos, que são alimentados por um motor elétrico (MORENO, 2021). 

Após a realização de pesquisas relacionadas aos projetos existentes no Brasil de veículos a base de combustível verde, foi realizada uma busca em plataformas sobre os projetos existentes ou em desenvolvimento no âmbito internacional relacionados a veículos movidos a hidrogênio verde que possam servir de modelo para o Brasil.

Separados em duas etapas: 

Etapa 1: Projetos em desenvolvimento.

Etapa 2: Tipos de modais que já são utilizados.

Dentre os projetos atuais foram separados os mais relevantes para o Brasil, ou seja, o foco principal esteve nos ônibus movidos a H2 verde e em caminhões.

Diante disso, estudos comprovaram que em todo o mundo, cerca de 4,5 milhões de ônibus elétricos foram comercializados em 2022, o que representa aproximadamente 66% das receitas totais da indústria de ônibus. A proporção de ônibus elétricos no mercado está aumentando rapidamente, embora na Europa e nos Estados Unidos, respectivamente, sejam 20% e 27%. A Índia tem aumentado sua proporção de forma consistente, respondendo por mais ônibus do que os EUA e a Europa juntos, e o mercado chinês tem adquirido todos os ônibus elétricos do mundo (GREENCARCONGRESS, 2023a).

Em 2022, cerca de 60.000 veículos de transporte de médio e grande porte foram comercializados em todo o mundo, o que representa apenas 1,2% do total de veículos de transporte. Entretanto, com o setor em expansão contínua a um ritmo de até 47,5%, as receitas mundiais provavelmente serão mais de 1 milhão por ano até o fim da década (GREENCARCONGRESS, 2023a).

A ElDorado National (ENC), uma subsidiária do REV Group, obteve uma autorização de viagem de 19 veículos de ônibus de célula a combustível de hidrogênio do fornecedor de transportes públicos da Califórnia Foothill Transit. A atual frota da Foothill Transit tem 359 ônibus, sendo que alguns deles são modelos com emissão zero e atendem os setores sul e central da Califórnia (GREENCARCONGRESS, 2023b).

No mês de junho durante o GPTS 2023, o ônibus elétrico da Daimler será o primeiro a ser lançado em série com uma célula a combustível como complemento de distância, o ônibus de transporte regular novo, com zero de emissão, tem alta capacidade de transporte e é altamente autonomizado, a célula à energia eCitaro tem uma capacidade de rodar até 350 quilômetros e, dependendo da configuração, pode ter até 128 viajantes, sendo esta uma alternativa que pode perfeitamente suprir a necessidade de transporte público por motores de origem fóssil (GREENCARCONGRESS, 2023c).

Além disso, a transportadora Rebus Regionalbus Rostock, com sede em Güstrow, na Alemanha, encomendou 52 ônibus a hidrogênio Solaris Urbino, incluindo cinco modelos articulados. Este é o pedido individual mais recente da Solaris para um veículo alimentado por hidrogênio. O acordo deve ser concluído até o final de 2024. De acordo com a administração regional, o sistema de transporte público no município de Rostock será baseado na tecnologia de hidrogênio nos próximos anos os veículos de ônibus de doze metros possuirão geradores de 70 kW, enquanto os de cinquenta metros terão unidades de 100 kW. Os veículos a hidrogênio da Solaris contarão com uma bateria de tração de alta potência, a fim de ajudar a célula a combustível em momentos de maior necessidade de energia. O objetivo da transportadora é operar o transporte público local com base na tecnologia do hidrogênio (GREENCARCONGRESS, 2023d).

Foram separados, agora, os modais já utilizados em âmbito internacional, como aponta o quadro 1:

Quadro 1. veículos existentes a base de H2 verde que podem ser modelos para o Brasil.

Tipo de veículoPaísReferências
ÔnibusHungria(MODIJEFSKY, 2020)
ÔnibusEspanha(MAYORSOFEUROPE, 2023)
ÔnibusPolônia(GORENFLO, 2016)
ÔnibusSuécia(BIGWHEELS, 2017)
ÔnibusReino Unido(CLIMATEACTION, 2020)
ÔnibusEscócia(SUSTAINABLE-BUS, 2018a)
ÔnibusItália(SUSTAINABLE-BUS, 2019)
ÔnibusAlemanha(SUSTAINABLE-BUS, 2018b)
ÔnibusEstados Unidos(SUSTAINABLE-BUS, 2021)
ÔnibusColômbia(ALTFUELS, 2023a)
CaminhãoUnião Europeia(BLOGDOROGERIO, 2020; FUELCELLSWORKS, 2021)
CaminhãoEstados Unidos(GREENFUTURE, 2021; PLANETCARSZ, 2019)
CaminhãoPeru(ALEMDAENERGIA.ENGIE, 2021)
Veículos PasseioSuíça(LAMARCHE, 2015)
Veículos PasseioFrança(ALTFUELS, 2023b)
Veículos PasseioEstados Unidos(DAQUINO, 2015)

A produção e comercialização de ônibus movidos a hidrogênio é uma solução promissora para o transporte coletivo de passageiros com emissão zero. É uma das soluções para os problemas de qualidade do ar urbano. Têm maior autonomia do que os veículos elétricos e demoram menos de 10 minutos para seu abastecimento. A maior autonomia é apenas uma das muitas vantagens que possuem em relação aos veículos movidos a combustíveis fósseis e aos veículos elétricos. O primeiro automóvel de passageiros da marca Toyota entrou no mercado europeu no final de 2019 (GROMICHO, 2019).

Devido ao alto consumo de energia e longa distância de condução de veículos pesados de mercadorias, o uso da tecnologia de hidrogênio em veículos pesados de mercadorias pode ser uma base favorável para a implantação de veículos elétricos com células a combustível. A utilização do hidrogénio em frotas de passageiros ou de mercadorias é uma solução muito eficiente do ponto de vista técnico e financeiro, pois permite operações centralizadas de armazenamento e distribuição, além de aumentar a eficiência dos investimentos em veículos e combustíveis (GROMICHO, 2019).

A partir desse levantamento foi concluído que a quantidade de veículos movidos a hidrogênio verde está avançando cada vez mais em uma escala de menor tempo, principalmente na Europa e Estados Unidos, sejam em projetos e contratos, como também, em veículos já utilizados, contudo, a américa do sul também vem se movimentando na implementação de tais projetos.

Além disso, o estudo apresenta vários projetos e modelos para o Brasil seguir em relação aos modais estratégicos que podem ser aprimorados no nosso país, a estratégia inicial é o investimento em veículos de grande porte que já circulam com diesel e biodiesel tais como os ônibus e caminhões.

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